Tudo indica que José Sócrates conseguiu o que queria. Dissipar as dúvidas, pelo menos as maiores, sobre a sua pessoa de forma a que a reacção a este assunto, pelo comum dos mortais que segue com gosto as telenovelas, seja de enjoo e ausência de ponta de interesse. Aliás, aqueles que teimarem em esticar a novela com mais episódios correm o risco de se tornar ridículos aos olhos da opinião pública. Com dúvidas, mas sem provas, não há sangue.
Sócrates sacudiu com mestria a água do capote, passando o ónus das trapalhadas para cima da UnI.
Mostrou documentos, comprovou o pagamento das propinas, fez o choradinho do aluno esforçado-cumpridor-estudante pós-laboral, impressionou com as 55 cadeiras feitas ao longo da licenciatura (bolas, está aqui, está mestre…), explicou que não cabe ao aluno decidir sobre as equivalências, nem escolher os seus professores e que era um “humilde deputado” na altura em que entrou para a Independente e explicou que o tratamento “Seu José Sócrates” vem da cultura anglo-saxónica. Termina com uma jogada emocional, citando Sousa Franco, “quem teme tempestades, acaba a rastejar” para mostrar que nada disto o abalou nem ao governo, e entrar na segunda parte da entrevista como que a rematar com um “Vamos ao que realmente interessa ao País”.
Não há dúvida?!